quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Para reescrever a história, Santos estreia no Mundial do Japão



A maior parte da torcida do Santos ainda não passou por essa experiência, afinal tem quase 50 anos a conquista do bicampeonato de 1962 e 1963. E toda essa ansiedade vai deixar os alvinegros com os nervos à flor da pele a partir das 8h30 de hoje, quando o Peixe encara o Kashiwa Reysol pela semifinal do Mundial Interclubes da Fifa, no Japão.

Pais, avôs e bisavôs ainda vivos guardam na memória aquele time de Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe que no primeiro ano arrasou com os portugueses do Benfica e, no segundo, passou pelos italianos do Milan (mesmo sem Pelé na grande decisão).

Agora, a equipe de Paulo Henrique Ganso, Elano, Neymar e Borges busca fazer a alegria de milhões de meninos, meninas, jovens e adultos que já viram flamenguistas, são-paulinos, colorados e corintianos serem campeões do mundo em passado nem tão distante assim.

Se no início dos anos 2000 não era comum ver crianças trajando o manto santista, hoje em dia a camisa 11 e o corte moicano de Neymar fazem a cabeça de milhares Brasil afora. Torcer para o Peixe está definitivamente na moda e, sem dúvida, hoje o Santos é o Brasil.

Apesar do duelo diante dos anfitriões, é o jogo contra o Barcelona que todos esperam. Afinal, o embate entre Iniesta e Messi do lado espanhol, Ganso e Neymar pela parte brasileira, seria um grande espetáculo para todo e qualquer amante do bom futebol. Um jogo que orgulharia tanto os santistas da geração bicampeã até os da atualidade.

A terceira estrela significará ao Santos igualar o São Paulo como o brasileiro com mais títulos mundiais, na vice-liderança entre os clubes do planeta - o Milan lidera com quatro canecos. Já para o País seria a consolidação como o maior vencedor do torneio, com dez - atualmente tem nove, ao lado de argentinos e italianos.

Santos se arma para selar favoritismo

Chegou a hora. Após 175 dias de espera desde a conquista da Copa Libertadores, o Santos enfim estreia no Mundial Interclubes da Fifa. Aliás, depois de 48 anos do segundo título, o Peixe tem a responsabilidade de confirmar o favoritismo para chegar a tão esperada decisão - muito provavelmente - contra o Barcelona. Mas, antes, o time de Muricy Ramalho tem de superar os anfitriões do Kashiwa Reysol, às 8h30 de hoje (horário de Brasília), no Toyota Stadium.

É absolutamente incontestável que o Santos tem time superior ao dos japoneses. Mas todo cuidado é pouco, afinal vale lembrar que no ano passado os congoleses do Mazembe tiraram o favorito Internacional justamente nessa fase da competição. O mesmo vale para o Barcelona, que encara o Al-Sadd, do Catar, amanhã.

Aliás, a superioridade santista também é válida na altura dos jogadores: o maior do Kashiwa Reysol tem 1,83 m (o lateral-direito Sakai). O goleiro Sugeno, por exemplo, tem 1,79 m. Dessa forma, as bolas paradas também se transformam em importante arma favorável ao Peixe.

E no esquema tático montado pelo técnico Muricy Ramalho, sai um baixinho do time e entra um grandalhão. O lateral-esquerdo Léo (já está recuperado e ficará no banco) e o deslocamento de Durval (1,85 m) para o lado do campo, Bruno Rodrigo (1,86 m) entra como titular junto de Edu Dracena (1,87 m) na zaga santista. O treinador não teve o menor pudor ou preocupação em divulgar a escalação. Afinal, todos - inclusive o técnico do Kashiwa, o brasileiro Nelsinho Baptista - conhecem os jogadores do Santos.

A outra presença confirmada é o meia Elano. Mesmo com suas limitações físicas, é um jogador de experiência bastante exaltada por Muricy Ramalho que, segundo ele, faz diferença neste momento. "Conta muito numa competição internacional. O Elano não está 100% fisicamente porque só fez dois jogos depois que se recuperou da lesão, mas pelo que vi nos treinos está pronto para nos ajudar bastante", explicou o treinador.

No meio-campo, Henrique ocupará a vaga de Adriano que, lesionado, sequer viajou ao Japão. Já o atacante Diogo nem vai ao banco de reservas - está com lesão muscular no adutor da coxa direita. O jogador, inclusive, é dúvida até para a partida de domingo (seja a final ou a disputa do terceiro lugar).

E se o Santos está definido, o Kashiwa deve mandar a campo o time base que venceu seus dois jogos no Mundial até agora (Auckland e Monterrey). Como assistiu aos dois jogos, Muricy Ramalho sabe o que terá pela frente.

"A gente sabe que o time japonês vai nos dar bastante trabalho. Temos o pé bem no chão. É um grupo organizado, mostrou nos jogos. Tem dois volantes que armam bem o time. Dois brasileiros. Vi as partidas de um time que merece respeito", concluiu o treinador santista.

Pepe revela mágoa por não ter sido convidado para o Mundial

Bicampeão pelo Santos em 1962 e 1963, Pepe garante que não estava entre suas prioridades assistir o Santos no Mundial de Clubes. No entanto, sente que foi esquecido pela atual diretoria santista. O ex-ponta, peça constante em recentes ações da atual gestão, diz que diferentemente de outros campeões sequer foi convidado para a viagem.

"Não me incomodo de ficar, mas acho que deveria ter sido convidado. Talvez tenham pensado que eu não fosse querer por ter 76 anos. Mas o correto seria convidar, afinal, só vão disputar o tri porque colaborei com o bi", disse o veterano.

O ex-jogador assistirá aos jogos em sua casa, mas gostaria de colaborar com informações sobre Pep Guardiola, técnico do Barcelona, de quem foi treinador no Al-Ahli, do Catar. "Acho que o Santos poderia ter me convidado, mas ninguém falou: ‘Pepe, você quer ir?'. Eu poderia dar algumas dicas sobre o Guardiola, ajudar no psicológico", comentou.

O marketing do Santos chegou a cogitar levar ex-campeões, mas considerou caro, cerca de US$ 15 mil (cerca de R$ 27 mil), mais a possibilidade de levarem acompanhantes. Coutinho, também bicampeão, rejeitou por não poder levar a filha. Dos campeões, somente Lima, que trabalha como observador nas franquias do clube, está no Japão.

Amigos, Muricy Ramalho e Nelsinho Baptista trocam elogios

Ex-companheiros nos tempos de São Paulo no início da década de 1970, amigos há 40 anos e hoje de lados opostos em busca de uma vaga na final do Mundial Interclubes. Tal situação tão peculiar cabe aos técnicos Muricy Ramalho, do Santos, e Nelsinho Baptista, do Kashiwa Reysol.

E tanta amizade não poderia resultar em outra coisa que não muito respeito e elogios de ambos os lados. "Nossa amizade vem de longe. Tenho por ele um grande respeito, não só como profissional, mas como amigo também. É o melhor técnico do Brasil", disse Nelsinho Baptista.

Quando ficou sabendo das palavras do colega, Muricy Ramalho rebateu. "Essa coisa de melhor do Brasil é coisa de amigo mesmo. É uma pessoa com quem tive o prazer de jogar. Até dividíamos os quartos. É um parceiro e pessoas assim a gente não esquece. Ele se transformou num grande treinador e vem fazendo um excelente trabalho. Tirou o Kashiwa da Segunda Divisão ao título do Campeonato Japonês."

Apesar dos seis anos juntos no São Paulo - enquanto jogadores - Nelsinho Baptista relembrou que na única vez que se enfrentaram em campo ele levou a melhor. "Foi no Paulista de 1978. Eu já estava no Santos e ele, no São Paulo. Eu acabei vencendo", disse o treinador do Kashiwa que, por outro lado, não se recorda dos duelos como treinadores.

Brasileiros são as principais armas do time japonês

Viajar milhares de quilômetros para jogar contra um time estrangeiro e ter como principais preocupações dois brasileiros. Esta é a realidade do Santos diante do Kashiwa Reysol, hoje. E, de fato, os meias Jorge Wagner e Leandro Domingues são as duas peças chave do técnico Nelsinho Baptista para tentar superar o Peixe.

Obviamente o treinador Muricy Ramalho sabe que os brazucas são as apostas dos orientais. "Os brasileiros são decisivos, o Jorge na bola parada continua perigoso e o Leandro pelo lado direito é diferenciado", disse o técnico brasileiro.

E Nelsinho Baptista deixa isso bem claro durante os jogos, ao fazer todas as jogadas passarem pelos pés de um dos dois. Foi assim nas oitavas de final, quando os japoneses superaram o Auckland City, da Nova Zelândia, por 2 a 0. E se repetiu nas quartas, quando passaram nos pênaltis pelo Monterrey, do México - após 1 a 1 no tempo normal, 4 a 3 nas penalidades.

Mas agora o grande desafio é lutar contra todo o favoritismo do Santos. Só Jorge Wagner e Leandro Domingues não serão suficientes e Nelsinho Baptista precisará contar com todo o grupo. Sobretudo, para conseguir parar o astro Neymar.

"Todo mundo fala sobre Neymar. Ele não está só nas manchetes brasileiras. Ele tem um talento excepcional e muita classe, todas as ferramentas para tornar-se o melhor jogador do mundo", disse Baptista, que também elogiou Paulo Henrique Ganso e Elano. Ele sabe que não será fácil.

Vitória sobre Real injeta ânimo no Barca

Embora a competição seja outra, os jogadores do Barcelona avaliam que a vitória sobre o rival Real Madrid no Campeonato Espanhol deu impulso a mais para o time na disputa do Mundial de Clubes da Fifa. Os espanhóis estreiam amanhã na fase semifinal contra o Al Sadd, do Catar, em Yokohama, às 8h30 (horário de Brasília).

"Aqueles foram três pontos importantes para nós tentarmos vencer o Campeonato Espanhol. Se tivéssemos perdido aquele jogo, seria duro pegar o avião e voar até aqui. Agora, ficou mais fácil para a gente", afirmou o zagueiro Piqué, durante coletiva no Japão.

Apesar de reconhecer o valor da vitória sobre o arquirrival, em pleno Estádio Santiago Bernabéu, em Madri, os jogadores do Barcelona garantem que o foco agora é o Mundial, no qual esperam conquistar mais um título - o clube foi campeão mundial há dois anos, nos Emirados Árabes Unidos.

"Agora, estamos concentrados nesse jogo (contra o Al Sadd). Sabemos que eles são um time muito forte fisicamente e, num torneio desse tipo, é difícil jogar contra um time desse tipo", avaliou Mascherano, reconhecendo também que o elenco do Barcelona está sofrendo com a adaptação ao fuso horário do Japão, depois de ter desembarcado no país no domingo.

Para Mascherano, a importância dada pelos clubes da América do Sul ao Mundial tornam as coisas mais difíceis para as equipes da Europa. Por isso, disse, os europeus entram em desvantagem no torneio. "Sabemos que para o time europeu sempre há mais dificuldades. Os outros clubes, principalmente os sul-americanos, têm mais preparação quando jogam aqui. Depois de ganhar a Libertadores, ficam quatro ou cinco meses se preparando", comentou.

Esta é a quarta vez que o Barcelona tenta o título. Em 1992, ainda no formato antigo (América do Sul x Europa), o São Paulo bateu a equipe treinada por Johan Cruyff. A segunda chance foi em 2006 e o carrasco foi o Internacional. O título veio em 2009, com vitória sobre o Estudiantes na final. "Não vi aquele torneio, pois estava no Liverpool. Mas sei que foi uma partida muito assistida, principalmente no meu país: havia Messi e Gabriel Milito de um lado e o Estudiantes do outro", disse Macherano, para quem o título tem de ser visto como prioridade neste fim de ano. "Para estar aqui tem que ganhar uma Champions (League). E uma Champions não se ganha todo dia. É um Mundial de Clubes e o campeão será campeão do mundo, o que significa ser o melhor time do mundo."

Crianças vítimas de terremoto têm encontro com jogadores

Os jogadores do Barcelona tiveram ontem encontro especial em Yokohama. Quando foram treinar à tarde, receberam a visita de 13 crianças japonesas que tiveram que deixar a região de Fukushima após o terremoto, seguido de tsunami, que provocou desastre nuclear em março.

As crianças estão entre as mais de 100 mil pessoas que foram obrigadas a abandonar suas casas na região de Fukushima após o desastre na usina nuclear da região. Elas estão abrigadas atualmente em uma escola de Tóquio e, por iniciativa do embaixador da Espanha no Japão, tiveram a oportunidade de conhecer os jogadores do clube espanhol, em Yokohama.

O encontro aconteceu antes do treino. As crianças puderam conversar com os jogadores, fizeram perguntas, tiraram fotos, receberam autógrafos e também ganharam de presente camisas do clube com seus nomes escritos nas costas






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