segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pistolagens abalam a região do Vale Jaguaribano



Grupos criminosos atormentam a população de três Municípios do sertão cearense e desafiam autoridades

A cidade de Jaguaribara, apesar de seu moderno planejamento,
também vem passando pela onda de criminalidade. Ali, a
população sofre com o tráfico de drogas e os crimes de encomenda
DIVULGAÇÃO
Uma sequência de mortes violentas voltou a abalar a região do Vale do Jaguaribe nos últimos dois meses. Os municípios de Jaguaribe, Jaguaribara e Jaguaretama são os mais atingidos pela onda de crimes de pistolagem e execuções ligadas ao tráfico de entorpecentes.

Um dos mais ousados episódios ocorreu em setembro passado, quando matadores de aluguel invadiram a Câmara Municipal de Jaguaretama (a 239Km de Fortaleza) e atiraram contra dois vereadores, matando um deles e ferindo outro.

Investigações que estão sendo realizadas pela Delegacia Regional de Jaguaribe apontam o envolvimento de dois grupos criminosos nas execuções sumárias. Um deles seria comandado por um veterano pistoleiro (já bastante conhecido das autoridades e com uma extensa ficha de crime) e um sargento da Polícia Militar.

O outro grupo teria como ´cabeça´ um pistoleiro que, mesmo estando preso em Fortaleza, continua ordenando as execuções naquela região.

Todos os crimes ocorridos no Vale do Jaguaribe recentemente estariam interligados e estão relatados em um dossiê que a Polícia montou para identificar os mandantes e executores, além de descobrir a motivação das execuções sumárias.

Mortes

Um dos mais recentes casos teve como palco a cidade de Jaguaretama, quando um comerciante, identificado como Francisco Neri Lemos da Silva, 53, foi executado por pistoleiros na noite do último dia 28 de outubro. Dois anos antes, o filho dele havia sido morto no Anel Viário, em Maracanaú, na Grande Fortaleza, em circunstâncias que apontaram uma execução sumária. O jovem Diogo Lindemberg Queiroz Lemos, então com 19 anos de idade, foi executado dentro de seu carro quando se dirigia a esta Capital para realizar a venda de queijos.

Para a Polícia, os pistoleiros acreditavam que no automóvel estaria o pai dele e o rapaz teria sido, então, vítima de um suposto erro de execução.

Francisco Neri estaria sendo ameaçado de morte e perseguido por seus algozes, exatamente os dois homens que, conforme as investigações policiais, comandam os crimes naquela região interiorana.

Um deles é o pistoleiro Manuel Carneiro Neto, o ´Manuel Preto´. O outro seria o sargento da PM Antônio Matias Neto, o ´Sargento Matias´. Ambos são considerados de altíssima periculosidade, autores de vários assassinatos naquela região do sertão cearense e que, por conta de tudo isso, são temidos em Jaguaretama e no vizinho Município de Solonópole, onde possuem muitas terras e imóveis.

Mesmo atrás das grades, Matias e ´Manuel preto´ estariam ordenando as últimas execuções. O PM está recolhido no Presídio Militar, em Fortaleza, desde o dia 11 de janeiro do ano passado, quando foi preso após cometer um duplo assassinato em Jaguaretama. Sozinho, armado com uma pistola de calibre 380ACP, e bêbado, ele assassinou os irmãos Adão e Salomão Ferreira ( este último ex-vereador), por conta de uma desavença gerada na venda de um imóvel, em Jaguaretama.

Pistolagem

Já ´Manuel Preto´, depois de protagonizar vários casos de violência em Jaguaretama, Jaguaribe e Solonópole, foi capturado, em flagrante, na cidade de Maranguape, na RMF, logo após praticar mais um dos seus crimes. Ele assassinou o comerciante Tibério Bezerra de Oliveira, 54, dono de uma pizzaria no distrito de Itapebussu, na noite de 15 de junho deste ano. Conforme as investigações, foi mais um assassinato de encomenda. Pelo ´serviço´, o matador recebeu a quantia de R$ 3,5 mil.

Quando foi cercado pela Polícia Militar e detido, o criminoso ainda tinha no bolso o dinheiro que recebeu, em espécie, para matar o comerciante.

Vingança?

´Manuel Preto´, assim como o sargento Matias, são conhecidos no Vale do Jaguaribe pela ousadia e por serem destemidos. O pistoleiro figurou nas investigações que apuraram a morte do advogado José Wilson Andrade Freire, assassinado na noite de 23 de junho de 2001 dentro de uma churrascaria, no bairro Conjunto José Walter, nesta Capital, crime que é imputado a um juiz de Direito e a um político de Canindé.

Recentemente, o pistoleiro foi capturado apenas duas semanas após envolver-se em um tiroteio no Centro da cidade e Jaguaretama, quando trocou balas com outros dois homens dentro de um bingo clandestino. Mesmo ferido, ele conseguiu fugir e foi se esconder na cidade de Morada Nova, de onde saiu para matar o comerciante, em Maranguape.

SANGUINÁRIOS
Grupos disputam quem mata mais

Uma quadrilha chefiada pelo pistoleiro e traficante de drogas Sebastião Ismael Diógenes Cintra parece disputar com o bando liderado pelo matador ´Manuel Preto´ e pelo sargento PM Matias quem mata mais no Vale do Jaguaribe. Os assassinos aparentam não estar incomodados com a ação permanente e rígida da Polícia naquela região.

Sebastião Diógenes tem uma ficha criminal extensa, que inclui oito homicídios três tentativas de assassinatos, tráfico de drogas, estelionato, porte ilegal de arma de fogo e diversas fugas da cadeia.

Conforme a Polícia, assassinatos ocorridos nos últimos meses teriam sido ordenados pelo bandido que, mesmo preso, mantém sua fama de temido no Vale do Jaguaribe. Atualmente, ele se encontra recolhido em um presídio no Município de Caucaia, na Grande Fortaleza, e as autoridades já pediram, sem sucesso, a transferência dele para uma penitenciária federal de segurança máxima em outro Estado, como forma de dar um basta aos seus crimes.

Comparsa

Do lado de fora da cadeia está um dos principais comparsa de Ismael Diógenes. Trata-se do também assassino Danilo Costa de Oliveira, conhecido como ´Neguinho da Jaguaribara´, dono de uma lista criminal tão extensa quanto a de Ismael. Conforme documentos de Consulta Integrada da Secretaria da Segurança Pública, Danilo responde a oito procedimentos policiais, incluindo na lista seis inquéritos por homicídio doloso (assassinato), tráfico de drogas, roubo de veículo, posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, além de roubos. Contra ele existem, atualmente, três mandados de prisão em aberto.

O bandido havia sido preso pela Polícia em Jaguaribe, mas foi transferido por ordem judicial para a cadeia publica de Morada Nova (a 162Km de Fortaleza), de onde fugiu. Desde então, vem sendo caçado pelas autoridades. A ele são atribuídos alguns dos últimos crimes m na região, cujo mandante seria Ismael Diógenes.

Sucessão

O bando de Ismael parece ter sucedido a quadrilha de ´Senhorzinho Diógenes´ após a morte do pistoleiro e chefe do grupo, Lucivando Saraiva Diógenes, o ´Gordo´, que tombou em Jaguaretama, em junho de 2008, num confronto com a Polícia.

MISTÉRIO
Morte de ´Mainha´ ainda investigada

Durante muitos anos, a figura de um pistoleiro ficou atrelada à história do Vale do Jaguaribe. O nome de ´Mainha´, cuja verdadeira identidade era Idelfonso Maia Cunha, natural de Limoeiro do Norte (a 194Km de Fortaleza), aparecia nos jornais e era motivo até de enredo na literatura de cordel da região.

´Mainha´ foi assassinado, misteriosamente, em fevereiro deste ano, crime que ocorreu na cidade de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. Apesar de colher diversos indícios da autoria material e intelectual do assassinato, a Polícia ainda não deu por concluída a investigação.

Fuzilado

´Mainha´ foi executado da mesma forma que outras pessoas teriam sido vítimas do pistoleiro. Emboscado no meio da rua, não teve chances de se defender. Tombou sem vida atingido por vários tiros disparados a curta distância, o que caracterizou uma execução sumária, no entender da perícia forense.

Entre as várias vertentes para explicar a morte do famoso pistoleiro está uma vingança. Anos antes, o irmão dele, Samuel Diógenes, também foi executado. Quando foi atocaiado pelos seus algozes, ´Mainha´ estava desarmado, fato que surpreendeu até mesmo a Polícia.

Nos seus últimos anos de vida, o pistoleiro estaria envolvido em rixas em Maranguape e nas cidades vizinhas. Havia deixado o Vale do Jaguaribe após anos de perseguição policial, assassinatos e fugas mirabolantes. A morte do pistoleiro continua sendo apurada pela Divisão de Homicídios, na Capital.

FERNANDO RIBEIRO
EDITOR DE POLÍCIA


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