quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Transtornos marcam o primeiro dia de greve dos bancários



Clientes que foram a diversas agências da Capital deram viagem perdida e não puderam fazer transações

O empreendedor individual Raniery Franklin acordou cedo ontem, no município de Cascavel, para poder ir a Fortaleza trocar um cheque na agência do Banco do Brasil da avenida Duque de Caxias. O dinheiro seria utilizado para comprar matéria-prima para seu negócio. A viagem foi perdida. Ao chegar lá, deparou-se com os cartazes pregados na entrada da instituição, com a afirmação "estamos em greve". Ele não sabia disso, assim como muita gente que procurou os bancos no primeiro dia da greve nacional dos bancários.

"Eu entrei, pra ver se conseguia trocar o cheque, mas eles disseram que não tinha como resolver meu problema, e que não teria outra agência onde eu poderia fazer isso. Agora, eu tenho que esperar até o fim dessa greve. E como é que vou fazer pra comprar minha matéria-prima? Vou ficar prejudicado", reclama o cliente.

Surpresa

Assim como Raniery, muita gente foi pega de surpresa com o início da greve. Para quem só precisava sacar dinheiro, fazer depósitos, ou pagar contas, o problema foi menor. Os caixas de autoatendimento da maioria das agências, mesmo das que estavam em greve, estavam funcionando, e estes serviços podiam ser feitos através dos aparelhos. Outra opção era recorrer às casas lotéricas e correspondentes bancários.

60% de adesão

Apesar de o Ceará contar com 80% de sindicalização dos bancários, nem todas as agências de bancos privados se encontravam em greve ontem, em especial as agências de bancos privados. Diversas agências do Centro, Aldeota e Dionisio Torres encontravam-se em pleno atendimento, apesar das faixas e cartazes nas portas. Segundo o Sindicato, quase 60% da categoria aderiu à greve, além de mais de 40% das agências. O assessor jurídico da Abance (Associação de Bancos do Estado do Ceará), Lúcio Paiva, disse que a adesão à greve é "quase geral".

Mais dificuldades

Mas não foi assim tão fácil. No caso da autônoma Suely Maria, 50, ela foi no início da tarde de ontem à agência da Caixa da avenida Pontes Vieira com Desembargador Moreira. Ela só ia fazer um depósito. Os caixas presenciais não funcionavam, e os eletrônicos não contavam com envelope de depósito. Havia uma agência lotérica próximo de lá, mas para ela não resolvia: não aceitam depósitos em cheque. Já em outras agências do mesmo banco, como na da Praça do Ferreira, os caixas eletrônicos sequer funcionavam. O sindicato informou que, segundo decidido, nem mesmo os caixas deveriam funcionar. Algumas agências seguiram essa determinação, outras, não.

Contudo, mesmo prejudicada, Suely afirma: "eu perdi tempo, mas acredito que toda greve é legal". Segundo o Sindicato dos Bancários, além do reajuste salarial de 12,8%, os bancários querem Plano de Cargos e Salários, participação nos lucros e resultados, contratação de mais bancários, fim das terceirizações, assistência médica e psicológica às vítimas de assaltos, sequestros e extorsões, entre outros. Segundo ele, cerca de nove mil bancários, em mais de 600 agências, paralisaram as atividades desde ontem.

O que fazer?
Bancos fechados

Diante da greve, quem precisar utilizar os serviços bancários pode recorrer a outros canais de atendimento, como caixas eletrônicos (179 mil em todo o País), operações por telefone e mais de 165 mil correspondentes não bancários - tais como casas lotéricas, agências dos correios, redes de supermercados e outros estabelecimentos comerciais credenciados. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os bancos oferecem também os serviços de débito automático para pagamento de contas de consumo (água, luz e telefone, por exemplo), além de realizar transações com segurança por meio de internet banking e mobile banking (operações por meio de celulares).

PARA EVITAR JUROS
Clientes devem pagar contas em dia

Rio Em função da greve dos bancários, que começou ontem em todo o país, o Procon do Rio de Janeiro recomenda que os consumidores procurem pagar as contas em caixas eletrônicos, pela internet ou em casas lotéricas, para que não sejam prejudicados com a cobrança de juros.

De acordo com a consultora jurídica do Procon fluminense, Maria Rachel Pereira, o órgão orienta que os clientes entrem em contato o quanto antes com os credores, como lojas, fornecedores, administradores de cartões de crédito e condomínios, para encontrar um meio alternativo de pagar as contas. "Embora o consumidor não tenha culpa por essas greves todas, dos Correios e, agora, dos bancários, ele tem conhecimento do débito e da data de vencimento. Então, o consumidor tem que, realmente, correr atrás para tentar uma forma alternativa (de fazer o pagamento)".

Proposta

A consultora lembrou que, na semana passada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) fez uma recomendação para que as instituições financeiras procurassem as prefeituras e as concessionárias de serviços públicos para isentar o consumidor de multas durante o período de greve dos Correios, mas a proposta não foi aceita. "Os consumidores têm que ficar atentos porque não vai haver isenção na mora de qualquer débito".

SÉRGIO DE SOUSA
REPÓRTER


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