sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Bactéria torna mosquito do Dengue imune ao vírus



Uma bactéria pode ser a barreira para travar o dengue, doença que afecta entre 50 a 100 milhões de pessoas no mundo tropical e subtropical, mostram dois estudos publicado na edição desta quinta-feira da revista Nature.

“Os resultados mostram que podemos transformar completamente populações locais [de mosquitos] em poucos meses”, disse Michael Turelli, biólogo da Universidade da Califórnia, EUA. “É a selecção natural alimentada por esteróides.”

O dengue é provocado por quatro estirpes de um vírus que infecta as pessoas através das picadas do mosquito Aedes aegypti. O vírus causa febre, dores musculares e pode ser fatal, nos casos de febre hemorrágica. Cerca de 20 mil pessoas morrem anualmente desta doença. Não existe vacina e uma forma de luta contra a doença é o controlo da população de mosquitos.

Em 2009, a equipa de Turelli, que envolve vários investigadores de universidades da Austrália, resolveu utilizar a bactéria Wolbachia que existe naturalmente nos mosquitos para encurtar o tempo de vida do insecto e prevenir o desenvolvimento do vírus. A primeira tentativa revelou-se um falhanço, porque a bactéria era muito forte e matava rapidamente os mosquitos.

Os investigadores voltaram para o laboratório e lembraram-se de utilizar uma estirpe da Wolbachia menos violenta. Acabaram por obter outro resultado, inesperado: a bactéria impedia o insecto de ficar infectado pelo vírus do dengue sem matar o mosquito. Os cientistas não sabem ainda como é que a bactéria protege o mosquito do vírus. Poderá ser um processo molecular, um aumento da resposta imunitária ou ambos.

A bactéria passa de geração para geração, de mães para filhos, o que facilita a sua propagação. Além disso, só sobrevivem os ovos de mães infectadas pela bactéria Wolbachia. Os ovos de insectos fêmea saudáveis que são fertilizados por machos com a bactéria acabam por morrer.

Depois de testarem a biologia deste sistema no laboratório a equipa soltou milhares de mosquitos infectados com a bactéria em Queensland, na Austrália. Antes, no entanto, percorreram um longo processo em que consultaram os governos locais, os reguladores, e falaram com as populações para explicar o que ia suceder.

Depois de soltarem os mosquitos, a bactéria prosperou. Numa localização, 100 por cento de mosquitos capturados tinham a bactéria, noutra localização, a Wolbachia estava presente em 80 por cento dos indivíduos. A equipa encontrou ainda elementos da nova população espalhados em locais onde não foi libertado nenhum insecto.

A experiência “inaugura o início de uma nova era de controlo de doenças transmitidas por mosquitos”, disse Jason Rasgon, especialista do Instituto de Investigação de Malária de Johns Hopkins, em Maryland, EUA, num comentário sobre a descoberta publicado também na revista Nature.

“A vantagem deste método de substituição de populações é que assim que estiver estabelecido, propaga-se por si mesmo. E porque a população de mosquito é alterada em vez de ser eliminada, os efeitos nos ecossistemas serão mínimos.”

Os investigadores querem agora implementar a técnica em outros locais do mundo, como no Brasil.







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