quarta-feira, 4 de maio de 2011

Estado de Alerta:
CE registra mais de 60 mil raios em 2011



De janeiro até agora o número de raios contabilizados no Estado já superam o de 2010 no mesmo período do ano

A zona norte do Estado tem a maior incidência de descargas
 elétricas. Em Sobral, parte da cidade ficou sem energia
FOTO: WELLINGTON MACEDO
Limoeiro do Norte A estação chuvosa, quando há maior atividade atmosférica, além das chuvas em áreas de risco, traz outro perigo: a queda de raios. O Ceará registrou do início do ano até ontem pela manhã 60.605 descargas atmosféricas. O número já é maior que o registrado em todo o ano de 2010. As descargas são monitoradas pela Coelce. A maior incidência neste ano ocorreu no Município de Granja, na Zona Norte do Estado, com 3.871 raios. As cidades não tem para-raios suficientes e é grande a preocupação dos munícipes. Além da queima de aparelhos eletrônicos, os raios já causaram a morte de um rapaz de 16 anos, em Crateús, em fevereiro deste ano.

Antes, durante ou depois de tempestades, o céu continua um risco para a terra. A queda de raios tem preocupado os cearenses. Queima de aparelhos eletrônicos, incêndios e mesmo a morte de homens e animais são algumas consequências da incidência direta da descarga elétrica. Há um mês e meio, em Sobral, a queda de um raio numa avenida danificou equipamentos de dezenas de estabelecimentos. Dos males, o menor. E o medo de raios tem provocado até mesmo a resistência dos pais em permitir os filhos tomarem banho de chuva.

Foram 60.605 em todo o Ceará, dos quais a quase totalidade (60.536) incidiu sobre os Municípios do Interior. Os dados são registrados pelo Sistema de Monitoramento de Descargas Atmosféricas, da Coelce. É uma tecnologia inovadora no País e capaz de monitorar todo o território brasileiro - capta descargas atmosféricas num raio de até seis mil quilômetros. O trabalho faz parte do projeto de Pesquisa e Desenvolvimento da Coelce, com investimentos de R$ 615 mil e que teve a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

A Zona Norte do Estado registrou a maior queda de raios. No Município de Granja, até a manhã do último dia 2, foram registrados 3.871 raios. Em seguida está Tianguá, com 1.646, e Santa Quitéria, com 1.631. A companhia energética monitora as descargas para identificar os locais de queda na distribuição elétrica e agilizar o atendimento nestas áreas.

A incidência de descargas elétricas é diretamente proporcional à de chuvas e tempestades. No ano de 2009, em que foram registradas fortes chuvas e enchentes, a Coelce registrou aproximadamente 100.870 descargas atmosféricas. Em 2010, de estiagem, foram verificados 45 mil raios, sendo mais atingidas as regiões Norte e Sul do Estado. Nesse período, Granja já liderava a quantidade de descargas elétricas, com 320 raios.

Em Sobral, a queda de um raio na Avenida Império Central interrompeu a distribuição de energia e danificou vários aparelhos eletrônicos tanto de residências quanto do comércio.

Precauções

Para minimizar os riscos de danos, a Coelce faz uma série de recomendações para durante as tempestades: as pessoas evitarem o uso de chuveiro ou torneira elétrica, evitar o contato com objetos metalizados, como fogão, canos, torneias e cabos de aterramento, não ligar equipamentos elétricos e eletrônicos, desconectar das tomadas aparelhos elétricos e eletrônicos, e evitar sair de casa durante a tempestade. Outros contatos devem ser evitados, como em cercas de arame, portões metálicos e principalmente linhas elétricas ou telefônicas. Tratores, máquinas agrícolas, motocicletas e carroças também podem atrair raios. O mesmo se dá em campos abertos, pastos, piscinas, lagos, praias, árvores isoladas, postes e locais elevados.

Quem teve aparelhos danificados pela queda de raios pode registrar a ocorrência e fazer o pedido de ressarcimento à Coelce, responsável pela distribuição de energia elétrica. A solicitação deve ser feita pelo titular da unidade consumidora onde houve o problema, informando data, horário e o provável dano, além de descrever as características gerais do equipamento danificado. Equipamentos do tipo para-raios são instalados principalmente em áreas elevadas, como torres de rádio e de telefonia celular e edifícios.

Porém, estes equipamentos são comuns nas zonas urbanas e, ainda assim, em quantidade insuficiente de cobertura. As zona rurais ficam descobertas, e é justamente onde há maior incidência de fatalidades com quedas de raios.

MAIS INFORMAÇÕES

Companhia Energética do Ceará (Coelce)
Escritórios em Fortaleza e Municípios
Telefone: 0800 285 0196

PLUVIOMETRIA

Chuvas em abril apontam para estação até junho

O registro de chuvas no Estado está satisfatório, com média de ocorrências de 90 a 130 milímetros

Limoeiro do Norte A previsão de raios também é compartilhada com a de chuvas durante esta estação chuvosa. Com 215,7 milímetros na distribuição por todo o Estado em abril, a Funceme vê como satisfatório o volume de chuvas para o mês passado e aponta condições favoráveis para chuvas até o mês de junho.

A notícia chega como alento para agricultores de áreas com chuvas abaixo da média, como Cariri e Sertão Central. Entre segunda e terça-feira última choveu na metade dos Municípios cearenses. Mas nas últimas semanas o boletim diário tem sido assim: chuvas de 90 a 130 Municípios, aproximadamente. E a chuva tem sido bem distribuída, chegando a todas as regiões das bacias hidrográficas. Mesmo assim, nos Inhamuns e no Sertão Central, as precipitações foram levemente abaixo da média. No Cariri choveu 8,4% menos que a média. Choveu mais na Zona Norte e região metropolitana. De acordo com a meteorologista Angélica Oliveira, da Funceme, as precipitações seguem a previsão já feita pelo órgão. Mas pelo que se tem observado "as condições são favoráveis para que (as chuvas) se estendam até junho", afirma.

Prejuízo

O Brasil lidera a queda de raios no mundo. São mais de 60 milhões de descargas atmosféricas por ano. O prejuízo supera R$ 200 milhões, principalmente para as redes de distribuição de energia. Nos últimos anos, morreram, em média, 70 pessoas por ano no País por queda de raios. O primeiro registro de 2011 de morte humana por queda de raio no Ceará foi em fevereiro deste ano em Crateús, no Sertão dos Inhamuns. Um jovem de 16 anos jogava futebol durante a chuva no bairro onde morava. No mesmo dia caíram outros 19 raios no mesmo Município cearense.

No Distrito de Nova Floresta, Município de Jaguaribe, a comunidade está preocupada com a frequência na queda de raios. No último fim de semana uma descarga elétrica atingiu a emissora de rádio local e outros raios, uma residência e a rede elétrica, provocando a queima de equipamentos. De tanta descarga atmosférica que tem caído na região, a comunidade já se abriga em casa ao primeiro sinal de tempestade.

Simpósio

De acordo com especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espacial (Inpe), cerca de 70% das mortes por raios no Brasil poderiam ter sido evitadas. São cuidados que as pessoas precisam ter para buscar abrigo em tempos de tempestades. Para discutir as formas de monitoramento, prevenção e proteção contra descargas atmosféricas, o Ceará sediará, no próximo mês de outubro deste ano, o Simpósio Internacional de Proteção contra Descargas Atmosféricas, promovido pelo Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE-USP). O evento conta com o apoio do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) - Seção Sul Brasil.

MAIS INFORMAÇÕES

Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) - Escritório em Fortaleza
Telefone: (85) 3101.1088

Melquíades Júnior
Colaborador



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