domingo, 29 de novembro de 2009

Brasil isenta nações mais pobres de tarifa de exportação

A um ano do fim do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a OMC (Organização Mundial de Comércio) em um impasse, o Itamaraty prolifera anúncios sobre novos acordos comerciais e relança iniciativas de negociações que estavam paralisadas. Poucos, porém, terão um impacto econômico importante e são, por enquanto, ações políticas.

Neste domingo (29), o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, anunciou aos 30 países mais pobres do planeta que o Brasil deixaria de cobrar tarifas sobre as exportações dessas economias. Em 2010, 80% dos produtos vendidos por esses países entrariam sem pagar impostos no mercado brasileiro. Até 2014, a cobertura chegaria a 100%. Mas Amorim deixou claro que se houver uma expansão rápida das exportações têxteis de Bangladesh, por exemplo, salvaguardas serão impostas.

- As devidas proteções serão estabelecidas.

O comércio entre esses países e o Brasil é pequeno e a iniciativa tem um impacto político maior que o efeito nas exportações. A Argentina, que terá de autorizar o Brasil a rebaixar suas tarifas por fazer parte do Mercosul, sequer sabia do anúncio de Amorim.

- Não estou sabendo de nada - afirmou o subsecretário de Comércio da Argentina, Alfredo Chiaradia.

Amanhã, o Brasil lança negociações para a criação do maior bloco do Hemisfério Sul e na quarta-feira fecha um tratado de preferências tarifárias com outros países emergentes. Entre os países latino-americanos, cresce a percepção de que a Rodada Doha dificilmente será concluída. A ideia do governo, portanto, é a de deixar algum acordo assinado como marca do governo Lula. Em oito anos, o Brasil praticamente não fechou nenhum acordo comercial.

Na segunda-feira (30), Amorim anuncia o lançamento de uma negociação para a criação de um bloco comercial entre o Mercosul, países africanos e Índia. O ministro do Comércio da África do Sul, Rob Davies, admite que o projeto é apenas "de longo prazo".

- Vamos passo à passo. Sem pressa.

Davies admite que existe ainda o projeto de usar o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiar projetos de integração regional na África Austral.

Os argentinos, porém, estimam que o projeto pelo menos dá uma demonstração de que o Mercosul quer estabelecer entendimentos com outras regiões.

- Não vamos ficar parados. Está na hora de buscar acordos - afirmou ao Estado o negociador-chefe da delegação argentina, Nestor Stancanelli.

Amorim admite que, mesmo em uma aproximação com os emergentes, todos precisam de um acordo na OMC.

- Só isso vai limitar os subsídios.

Pedindo anonimato, um diplomata sul-americano insistiu que o acordo entre os emergentes era apenas "um lance político".

Do site R7.C om


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